PRMO084 · Versão 1.0 · 2026

Protocolo Corporativo de Risco e Profilaxia de Tromboembolismo Venoso

Cardio Diagnóstica — Rede Corporativa

Classificação: Protocolo Clínico Corporativo — Uso Obrigatório
Elaboração: Equipe Médica Cardio Diagnóstica 2026
Aprovação: Diretoria Clínica e Gestão da Qualidade
Vigência: Janeiro / 2026 — Revisão: Janeiro / 2027
Aplicação: Todas as unidades contratadas — Rede Cardio Diagnóstica
Público-alvo: Médicos, enfermeiros e equipe multidisciplinar
⚠️ Documento de uso exclusivo institucional. Proibida reprodução ou distribuição sem autorização da Diretoria Clínica. Em caso de divergência com protocolos locais, prevalece o julgamento clínico do médico assistente.

📋 Sumário

Protocolo Corporativo de Risco e Profilaxia de TEV — PRMO084

1.Objetivo e EscopoPág. 3
2.Definições e TerminologiaPág. 3
3.Epidemiologia e Impacto ClínicoPág. 3
4.Estratificação de Risco — Paciente Clínico (Escore de Pádua)Pág. 4
5.Estratificação de Risco — Paciente Cirúrgico (Escore de Caprini)Pág. 4–5
6.Avaliação de Risco de SangramentoPág. 5
7.Protocolo de Profilaxia FarmacológicaPág. 6
8.Profilaxia MecânicaPág. 6
9.Fluxograma de Decisão TEVPág. 7
10.Diagnóstico de TVP e TEP SuspeitaPág. 8
11.Tratamento do TEV EstabelecidoPág. 8–9
12.Situações EspeciaisPág. 9
13.Indicadores de Qualidade (KPIs)Pág. 10
14.Referências BibliográficasPág. 10
🎯 Mensagem-chave do Protocolo O TEV (TVP + TEP) é causa prevenível de morbimortalidade hospitalar. A avaliação de risco obrigatória na admissão — com escore de Pádua (clínico) ou Caprini (cirúrgico) — e a profilaxia adequada reduzem eventos em até 60%. A equipe assistente é corresponsável pela estratificação e registro.

🎯 Seções 1 a 3 — Objetivo, Definições e Epidemiologia

PRMO084 · Cardio Diagnóstica 2026

1 Objetivo e Escopo

Estabelecer diretrizes corporativas uniformes para estratificação de risco, profilaxia, diagnóstico e tratamento do Tromboembolismo Venoso (TEV) em todas as unidades de saúde contratadas pela Cardio Diagnóstica, com vistas à redução de eventos trombóticos preveníveis e à melhoria da segurança do paciente.

2 Definições e Terminologia

Trombose Venosa Profunda (TVP)

Formação de trombo em veias profundas, mais frequentemente em membros inferiores (proximal ou distal) e sistema venoso pélvico.

Tromboembolismo Pulmonar (TEP)

Obstrução parcial ou total de artérias pulmonares por êmbolo trombotico, geralmente originado de TVP proximal.

TEV — Tromboembolismo Venoso

Denominação coletiva para TVP e TEP, tratadas como espectro de uma mesma doença.

Profilaxia Farmacológica

Uso de anticoagulantes em dose profilática (HBPM, HNF ou DOAC) para prevenção de eventos trombóticos em pacientes de risco.

Profilaxia Mecânica

Meias de compressão graduada e/ou dispositivos de compressão pneumática intermitente (CPI), utilizados em conjunto ou isoladamente.

D-dímero

Produto de degradação da fibrina; útil para exclusão de TEV (alto valor preditivo negativo em baixa probabilidade clínica).

3 Epidemiologia e Impacto Clínico

1/3
Pacientes sem profilaxia adequada desenvolvem TVP assintomática
60%
Redução de TEP fatal com profilaxia correta
10%
Mortalidade hospitalar por TEP não diagnosticado
Causa de morte cardiovascular (após IAM e AVC)
⚠️ Atenção — Grupos de maior risco hospitalar Cirurgia ortopédica de grande porte (prótese de quadril/joelho), neoplasias ativas, imobilização prolongada, trombofilia conhecida, histórico prévio de TEV e insuficiência cardíaca descompensada são fatores de alto risco que exigem profilaxia estendida.

📊 Seção 4 — Escore de Pádua (Paciente Clínico)

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4 Estratificação de Risco — Paciente Clínico (Escore de Pádua)

Aplicar em todos os pacientes clínicos internados ≥ 24h. Cada critério pontua conforme abaixo:

Fator de RiscoPontos
Câncer ativo (metastático ou em tratamento nos últimos 6 meses)3
TEV prévio (exceto trombose superficial)3
Mobilidade reduzida (≥ 3 dias acamado ou previsão de restrição)3
Trombofilia conhecida (déficit de antitrombina, proteína C/S, fator V de Leiden, síndrome antifosfolipídeo)3
Trauma e/ou cirurgia recente (≤ 1 mês)2
Idade ≥ 70 anos1
Insuficiência cardíaca e/ou respiratória1
IAM ou AVC isquêmico1
Infecção aguda e/ou doença reumatológica1
Obesidade (IMC ≥ 30)1
Tratamento hormonal em curso (anticoncepcional/TRH)1
🎯 Interpretação do Escore de Pádua
0–3
BAIXO RISCO
Sem profilaxia farmacológica*
≥4
ALTO RISCO
Profilaxia farmacológica indicada
+
AMBOS
Profilaxia mecânica associada

* Considerar profilaxia mecânica mesmo no baixo risco se mobilidade muito reduzida.

4.1 Fatores de proteção (redutores de risco)

📌 Lembre-se Reavaliar o escore a cada 48–72h ou após mudança clínica significativa (cirurgia, novo diagnóstico, piora hemodinâmica). Registrar no prontuário a classificação de risco e a conduta adotada.

🔢 Seção 5 — Escore de Caprini (Paciente Cirúrgico)

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5 Estratificação de Risco — Paciente Cirúrgico (Escore de Caprini)

⬛ 1 Ponto cada

  • Idade 41–60 anos
  • Cirurgia pequena prevista
  • IMC > 25
  • Edema de MMII
  • Varizes
  • Gestação ou pós-parto
  • Aborto espontâneo recorrente
  • Uso de ACO ou TRH
  • Sepse (≤ 1 mês)
  • Pneumopatia grave (≤ 1 mês)
  • Função pulmonar anormal
  • IAM não cirúrgico
  • ICC
  • Histórico de DII
  • Acamado (≤ 1 mês)
  • Prótese de quadril/joelho
  • Fratura de quadril, pelve ou perna (≤ 1 mês)
  • AVC isquêmico (≤ 1 mês)
  • TCE ou lesão medular (≤ 1 mês)

⬛ 2 Pontos cada

  • Idade 61–74 anos
  • Cirurgia artroscópica
  • Neoplasia maligna
  • Cirurgia laparoscópica (> 45 min)
  • Acamado (≥ 72h)
  • Imobilização por gesso
  • Cateter venoso central

⬛ 3 Pontos cada

  • Idade ≥ 75 anos
  • TEV prévio
  • Histórico familiar de TEV
  • Mutação fator V de Leiden
  • Mutação protrombina 20210A
  • Homocisteinemia
  • Anticoagulante lúpico +
  • Anticorpos antifosfolipídeos +
  • Trombocitopenia induzida por HIT
  • Outras trombofilias

⬛ 5 Pontos cada

  • AVC (≤ 1 mês)
  • Artroplastia eletiva de MMII
  • Cirurgia de fratura de quadril, pelve ou perna
  • Lesão medular aguda (≤ 1 mês)
🎯 Classificação Caprini
ScoreRiscoRecomendação
0–1Muito baixoDeambulação precoce
2BaixoCPI ou HBPM
3–4ModeradoHBPM + CPI
5–8AltoHBPM + CPI (≥ 7–10 d)
≥ 9Muito altoHBPM + CPI (≥ 30 d)
Avaliar filtro de VCI
⚠️ Profilaxia estendida pós-alta (até 35 dias) Indicada nas seguintes situações: artroplastia de quadril ou joelho, cirurgia oncológica abdominal/pélvica de grande porte, escore de Caprini ≥ 9 e trombofilia de alto risco. Discutir com paciente e assegurar prescrição na alta hospitalar.

🩸 Seção 6 — Risco de Sangramento e Contraindicações

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6 Avaliação de Risco de Sangramento

Antes de iniciar profilaxia farmacológica, avaliar sistematicamente a presença de fatores de risco para sangramento:

6.1 Contraindicações ABSOLUTAS à Profilaxia Farmacológica

  • Sangramento ativo (exceto menstrual)
  • Trombocitopenia < 50.000/mm³
  • Coagulopatia grave (TP < 50% ou INR > 2,0 sem anticoagulação)
  • Cirurgia intracraniana, medular ou ocular nas últimas 24h
  • HIC nas últimas 4 semanas
  • Punção lombar / bloqueio espinhal nas últimas 12h (HBPM) ou 4h (HNF)

6.2 Contraindicações RELATIVAS (avaliar risco-benefício)

  • Plaquetas 50.000–100.000/mm³
  • Coagulopatia moderada (TP 50–70%)
  • Úlcera péptica ativa
  • Hipertensão arterial não controlada (PAS > 180 mmHg)
  • Pós-operatório de cirurgia de grande porte (< 12h)
  • Retinopatia diabética proliferativa
  • Insuficiência hepática grave (Child C)

6.3 Ajuste de Dose em Insuficiência Renal

ClCr (mL/min)EnoxaparinaFondaparinuxRivaroxabana
> 30Dose padrãoDose padrãoDose padrão
15–30Reduzir 50% (0,5 mg/kg/dia)ContraindicadoUsar com cautela
< 15 ou diáliseHNF IV preferívelContraindicadoContraindicado
🚨 Trombocitopenia Induzida por Heparina (HIT) Suspeitar de HIT quando: plaquetas caem ≥ 50% entre o 4° e 14° dia de heparina + novos eventos trombóticos. Escore 4Ts ≥ 4 = suspita moderada/alta → suspender toda heparina imediatamente → usar argatrobana ou fondaparinux. Solicitar anticorpos anti-FP4 e hemato/hematologia.

6.4 Conduta quando Profilaxia Farmacológica É Contraindicada

✅ Iniciar profilaxia mecânica: CPI bilateral + meias elásticas de compressão graduada
🔄 Reavaliar contraindicação a cada 24–48h
💊 Assim que contraindicação resolvida → iniciar profilaxia farmacológica + manter mecânica

💊 Seção 7 — Protocolo de Profilaxia Farmacológica

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7 Protocolo de Profilaxia Farmacológica

7.1 Primeira Linha — Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM)

MedicamentoDose ProfiláticaVia / FrequênciaObservações
Enoxaparina (Clexane®) 40 mg/dia
Cirurgia ortopédica: 40 mg/dia ou 30 mg 12/12h
SC 1x/dia
(início 12h pós-cirurgia)
Droga de escolha. Ajustar em IR (ClCr < 30: 20 mg/dia)
Dalteparina (Fragmin®) 5.000 UI/dia SC 1x/dia Alternativa à enoxaparina. Pacientes oncológicos: 200 UI/kg/dia por 1 mês, depois 150 UI/kg/dia

7.2 Alternativa — Heparina Não Fracionada (HNF)

MedicamentoDoseViaIndicação
HNF (Heparina sódica) 5.000 UI 8/8h ou 12/12h SC IR grave (ClCr < 15), hemodiálise, quando reversibilidade imediata necessária

7.3 Fondaparinux

MedicamentoDoseIndicação
Fondaparinux (Arixtra®) 2,5 mg SC 1x/dia Alternativa quando HIT confirmada ou suspeita. Contraindicado se ClCr < 20 mL/min ou peso < 50 kg

7.4 DOACs para Profilaxia (Pós-cirurgia Ortopédica)

DOACIndicaçãoDoseInício
RivaroxabanaArtroplastia total de joelho/quadril10 mg/dia6–10h pós-hemostasia
DabigatranaArtroplastia total de joelho/quadril220 mg/dia (ou 150 mg se ≥ 75a)1–4h pós-hemostasia
ApixabanaArtroplastia total de joelho/quadril2,5 mg 12/12h12–24h pós-hemostasia
⚠️ Duração da Profilaxia

🧦 Seção 8 — Profilaxia Mecânica

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8 Profilaxia Mecânica

8.1 Meias de Compressão Graduada (MCG)

  • Pressão 15–20 mmHg ao nível do tornozelo
  • Usar durante toda a internação + deambulação
  • Contraindicada em: arteriopatia periférica grave, edema maciço de MMII, dermatite ativa, úlceras de perna
  • Inspecionar a pele diariamente; retirar por 30 min a cada 8h

8.2 Compressão Pneumática Intermitente (CPI)

  • Dispositivo de escolha quando MCG contraindicada
  • Usar pelo menos 18h/dia durante internação
  • Contraindicada em: TVP ativa (aguardar 24h de anticoagulação), feridas abertas nos MMII, isquemia grave
  • Preferir panturrilha + coxa para cirurgias de alto risco

8.3 Deambulação Precoce

Componente essencial de toda estratégia de profilaxia. Iniciar nas primeiras 24h de internação quando possível.

  • Fisioterapia motora deve ser acionada na admissão
  • Registrar deambulação no prontuário
  • Exercícios de membros inferiores no leito quando deambulação impossível
🎯 Combinação Recomendada

Para alto risco (Pádua ≥ 4 ou Caprini ≥ 3): profilaxia farmacológica + mecânica combinadas — maior eficácia que cada modalidade isolada.

Para baixo risco com contraindicação farmacológica: mecânica isolada.

8.4 Checklist de Profilaxia TEV na Admissão

🔀 Seção 9 — Fluxograma de Decisão TEV

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9 Fluxograma de Decisão TEV

🏥 ADMISSÃO HOSPITALAR — Paciente adulto (≥ 18 anos) internado ≥ 24h
❓ Tipo de admissão?
🏥 CLÍNICO
Calcular Escore de PÁDUA
Pádua 0–3
BAIXO RISCO
Profilaxia mecânica
Deambulação precoce
Pádua ≥ 4
ALTO RISCO
Profilaxia farmacológica
+ mecânica
🔪 CIRÚRGICO
Calcular Escore de CAPRINI
Caprini 0–2
BAIXO RISCO
MCG + CPI
Deambulação
Caprini ≥ 3
ALTO/MTO ALTO
HBPM + CPI
± profilaxia estendida
❓ Contraindicação à profilaxia farmacológica?
NÃO — Sem contraindicação
Iniciar HBPM conforme risco
+ Profilaxia mecânica
SIM — Há contraindicação
Profilaxia mecânica isolada
Reavaliar a cada 24–48h
🔄 Reavaliar risco TEV a cada 48–72h ou com mudança clínica. Registrar no prontuário.
📝 ALTA: Prescrever profilaxia ambulatorial se indicada. Orientar paciente.

🔍 Seções 10–11 — Diagnóstico e Tratamento do TEV Estabelecido

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10 Diagnóstico de TVP e TEP Suspeita

10.1 Suspeita Clínica de TVP

Escore de Wells TVP para estratificação pré-teste:

CritérioPts
Câncer ativo+1
Paralisia/paresia/imobilização de MMII+1
Acamado ≥ 3 dias ou cirurgia recente+1
Dor em trajeto venoso profundo+1
Edema de toda a perna+1
Edema de panturrilha > 3 cm+1
Edema unilateral com cacifo+1
Circulação colateral superficial+1
TEP confirmado anteriormente+1
Diagnóstico alternativo mais provável−2

≤ 1 = baixa prob. | 2 = moderada | ≥ 3 = alta probabilidade

Algoritmo diagnóstico TVP
Baixa prob. → D-dímero: se neg. = exclui; se pos. → US Doppler
Moderada/Alta → US Doppler diretamente

10.2 Suspeita Clínica de TEP

Escore de Wells TEP:

CritérioPts
TVP clínica suspeita+3
Diagnóstico alternativo menos provável+3
FC > 100 bpm+1,5
Imobilização / cirurgia ≤ 4 sem+1,5
TVP ou TEP prévio+1,5
Hemoptise+1
Neoplasia ativa+1

< 2 = baixa | 2–6 = moderada | > 6 = alta probabilidade

🚨 TEP com instabilidade hemodinâmica
Choque ou hipotensão (PAS < 90 mmHg) → TEP maciço:
Trombolítico sistêmico (Alteplase 100 mg IV em 2h) ou trombectomia cirúrgica de emergência se contraindicação a trombólise.

11 Tratamento do TEV Estabelecido

11.1 Anticoagulação Inicial (0–10 dias)

MedicamentoDose TerapêuticaViaObs.
Enoxaparina1 mg/kg 12/12h ou 1,5 mg/kg/diaSCPreferida em câncer e gestação
HNF (IV contínua)Bolus 80 UI/kg + 18 UI/kg/h (ajuste por TTPA)IVInstabilidade HD, IR grave, cirurgia iminente
Fondaparinux<50 kg: 5 mg | 50–100 kg: 7,5 mg | >100 kg: 10 mg/diaSCHIT confirmada

11.2 Anticoagulação de Manutenção (≥ 3 meses)

DOAC / AnticoagulanteDoseDuração Mínima
Rivaroxabana15 mg 12/12h (21 d) → 20 mg/dia3 meses; estendido se recorrência ou fator persistente
Apixabana10 mg 12/12h (7 d) → 5 mg 12/12h3 meses; 2,5 mg 12/12h se manutenção estendida
Dabigatrana150 mg 12/12h após 5 dias de parenteral3 meses
WarfarinaINR alvo 2,0–3,03–6 meses ou indefinido; iniciar junto com HBPM (bridge ≥ 5 dias)

⭐ Seção 12 — Situações Especiais

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12 Situações Especiais

12.1 TEV na Gestação

  • HBPM é o anticoagulante de escolha (enoxaparina dose terapêutica)
  • Warfarina contraindicada no 1° trimestre (teratogênica) e nas últimas 4 semanas
  • DOACs contraindicados em toda gestação
  • Manter HBPM por todo período gestacional e mínimo 6 semanas pós-parto
  • Envolver obstetra e hematologista
  • Na suspeita de TEP: US Doppler de MMII como primeiro exame; se positivo iniciar anticoagulação; se negativo considerar angioTC pulmonar (dose fetal baixa)

12.2 TEV e Neoplasia Ativa

  • HBPM por 3–6 meses (dalteparina preferida — estudo CLOT)
  • Após 6 meses: DOAC aceitável (rivaroxabana ou apixabana) se não há tumores GI/urológico com risco de sangramento
  • Anticoagulação indefinida enquanto câncer ativo
  • Filtro de VCI apenas em sangramento ativo ou contraindicação formal à anticoagulação

12.3 TEV em Pacientes com Trombofilia

  • Síndrome antifosfolipídeo (SAF): warfarina com INR 2–3 (DOACs não recomendados na SAF triplo positivo)
  • Trombofilia hereditária (fator V de Leiden, protrombina 20210A): duração estendida de anticoagulação após 1° evento
  • Déficit proteína C/S ou antitrombina III: sempre consultar hematologia

12.4 Filtro de Veia Cava Inferior (VCI)

  • Indicação: TEV proximal + contraindicação absoluta e permanente à anticoagulação
  • Não indicado de rotina
  • Filtro recuperável preferível sempre que possível
  • Retomar anticoagulação assim que contraindicação resolvida

12.5 Obesidade Mórbida (IMC ≥ 40)

  • Enoxaparina: usar dose baseada no peso real (1 mg/kg 12/12h para tratamento) — até 200 mg/dia
  • Monitorar nível anti-Xa em pacientes com peso > 150 kg
  • DOACs podem ter eficácia reduzida — ponderar caso a caso
⚠️ Reversão de Anticoagulação em Emergências
AnticoagulanteAgente ReversorDose
WarfarinaVitamina K IV + CCP (Beriplex/Octaplex)Conforme INR e peso
HBPM / HNFSulfato de Protamina1 mg/100 UI HNF ou 1 mg/1 mg enoxaparina
DabigatranaIdarucizumabe (Praxbind®)5 g IV (2 frascos de 2,5 g)
Rivaroxabana / ApixabanaAndexanet alfa (Ondexxya®)Conforme dose/tempo última tomada

📊 Seções 13–14 — Indicadores de Qualidade e Referências

PRMO084 · Cardio Diagnóstica 2026

13 Indicadores de Qualidade (KPIs)

Indicador Numerador Denominador Meta Frequência
1. Taxa de estratificação TEV na admissão Pacientes com escore registrado nas primeiras 24h Total de internações ≥ 24h ≥ 90% Mensal
2. Adequação da profilaxia Pacientes de alto risco com profilaxia correta Pacientes de alto risco (Pádua ≥ 4 ou Caprini ≥ 3) ≥ 85% Mensal
3. Taxa de TEV durante internação (evento sentinel) Novos eventos de TEV confirmados na internação Total de internações ≥ 48h ≤ 1% Mensal
4. Profilaxia prescrita na alta Altas com indicação de profilaxia ambulatorial prescrita Altas com indicação de profilaxia estendida ≥ 90% Mensal
5. Suspensão de heparina em HIT suspeito Heparina suspensa ≤ 4h após escore 4Ts ≥ 4 Casos com suspeita de HIT 100% Por evento
6. Ajuste de dose em IR Pacientes com ClCr < 30 com dose ajustada Pacientes recebendo HBPM com ClCr < 30 100% Mensal
7. Mortalidade por TEP Óbitos com diagnóstico principal ou secundário de TEP Total de internações ≤ 0,5% Trimestral

14 Referências Bibliográficas

  1. Kahn SR et al. Prevention of VTE in nonsurgical patients: antithrombotic therapy and prevention of thrombosis. Chest. 2012;141(2 Suppl):e195S-226S.
  2. Gould MK et al. Prevention of VTE in nonorthopedic surgical patients. Chest. 2012;141(2 Suppl):e227S-277S.
  3. Falck-Ytter Y et al. Prevention of VTE in orthopedic surgery patients. Chest. 2012;141(2 Suppl):e278S-325S.
  4. Kearon C et al. Antithrombotic therapy for VTE disease: CHEST Guideline. Chest. 2016;149(2):315-352.
  5. Konstantinides SV et al. 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism. Eur Heart J. 2020;41(4):543-603.
  6. Lim W et al. American Society of Hematology 2018 guidelines for management of venous thromboembolism. Blood Adv. 2018;2(22):3197-3210.
  7. Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Diretrizes Brasileiras de TEV. 2022.
  8. Caprini JA. Thrombosis risk assessment as a guide to quality patient care. Dis Mon. 2005;51(2-3):70-78.
  9. Barbar S et al. A risk assessment model for the identification of hospitalized medical patients at risk for venous thromboembolism: the Padua Prediction Score. J Thromb Haemost. 2010;8(11):2450-7.
📋 Controle de Versões
VersãoDataAutorAlterações
1.0Janeiro/2026Equipe Médica Cardio DiagnósticaVersão inicial — aprovada pela Diretoria Clínica

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