PRMO085 · Versão 1.0 · 2026

Protocolo Corporativo de Sedação, Analgesia e Delirium em UTI

Cardio Diagnóstica — Rede Corporativa

Classificação: Protocolo Clínico Corporativo — Uso Obrigatório em UTI
Elaboração: Equipe Médica de Terapia Intensiva — Cardio Diagnóstica 2026
Aprovação: Diretoria Clínica e Gestão da Qualidade
Vigência: Janeiro / 2026 — Revisão: Janeiro / 2027
Aplicação: Todas as UTIs das unidades contratadas — Rede Cardio Diagnóstica
Público-alvo: Médicos intensivistas, enfermeiros e equipe de UTI
⚠️ Documento de uso exclusivo institucional. A abordagem SAD (Sedação-Analgesia-Delirium) é obrigatória na avaliação diária de todo paciente crítico. A sedação leve (RASS -1 a 0) é a meta padrão, exceto contraindicações explícitas.

📋 Sumário

Protocolo Corporativo de Sedação, Analgesia e Delirium em UTI — PRMO085

1.Objetivo e EscopoPág. 3
2.Definições — Abordagem SAD (Sedação-Analgesia-Delirium)Pág. 3
3.Avaliação de Dor — Escalas BPS e CPOTPág. 4
4.Avaliação do Nível de Sedação — Escala RASSPág. 4
5.Avaliação e Manejo do Delirium — CAM-ICUPág. 5
6.Protocolo de Analgesia (Analgesia-first)Pág. 5–6
7.Protocolo de SedaçãoPág. 6–7
8.Sedação Profunda — Indicações e CondutaPág. 7
9.Bloqueio Neuromuscular (BNM)Pág. 8
10.Fluxograma SAD IntegradoPág. 8
11.Protocolo de Interrupção Diária da Sedação (IDS)Pág. 9
12.Situações EspeciaisPág. 9
13.Indicadores de Qualidade (KPIs)Pág. 10
14.Referências BibliográficasPág. 10
🎯 Conceito Central — Abordagem SAD A abordagem SAD (Sedação-Analgesia-Delirium) integra avaliação e tratamento simultâneos das três dimensões do desconforto do paciente crítico. A ordem de prioridade é: 1º Analgesia → 2º Sedação leve → 3º Prevenção e tratamento do delirium. A sedação profunda sem indicação formal aumenta mortalidade, tempo de VM e disfunção cognitiva.

🎯 Seções 1–2 — Objetivo e Definições SAD

PRMO085 · Cardio Diagnóstica 2026

1 Objetivo e Escopo

Estabelecer diretrizes corporativas uniformes para avaliação e manejo da dor, sedação e delirium em pacientes adultos internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) das unidades contratadas pela Cardio Diagnóstica, com foco em:

2 Definições — Abordagem SAD

Sedação

Redução farmacológica do nível de consciência para controle de agitação, adaptação à ventilação mecânica ou procedimentos. A sedação leve (RASS -1 a 0) é a meta padrão para a maioria dos pacientes.

Analgesia

Controle da dor por meio de fármacos analgésicos. A abordagem "analgesia-first" preconiza tratar a dor antes de aprofundar a sedação, pois a dor não tratada é a principal causa de agitação em UTI.

Delirium

Disfunção cerebral aguda com alteração flutuante de consciência, desatenção e pensamento desorganizado. Afeta 60–80% dos pacientes em VM. Está associado a aumento de mortalidade e disfunção cognitiva prolongada.

RASS (Richmond Agitation-Sedation Scale)

Escala de -5 a +4 para avaliação do nível de sedação e agitação. Meta padrão em UTI: RASS -1 a 0 (levemente sedado a alerta).

BPS / CPOT

Escalas para avaliação de dor em pacientes não comunicativos. BPS (Behavioral Pain Scale) e CPOT (Critical-Care Pain Observation Tool) são as mais validadas em UTI.

CAM-ICU

Confusion Assessment Method for the ICU — ferramenta para diagnóstico de delirium em pacientes críticos, mesmo não verbais.

IDS — Interrupção Diária da Sedação

Suspensão temporária diária dos sedoanalgésicos para avaliação neurológica e redução do tempo de VM. Compõe o bundle ABCDEF.

⚠️ Bundle ABCDEF — Meta Corporativa
LetraAção
AAssess, prevent, and manage Pain (Avaliação e controle da dor)
BBoth spontaneous awakening trials (SAT) and breathing trials (SBT)
CChoice of analgesia and sedation (sedação leve, analgesia-first)
DDelirium: assess, prevent, and manage
EEarly mobility and exercise (mobilização precoce)
FFamily engagement and empowerment (engajamento familiar)

🩹 Seções 3–4 — Escalas de Dor e Sedação

PRMO085 · Cardio Diagnóstica 2026

3 Avaliação de Dor — BPS e CPOT

3.1 BPS — Behavioral Pain Scale

Utilizar em pacientes não comunicativos em VM. Score total de 3–12.

IndicadorScore 1Score 2Score 3Score 4
Expressão facialRelaxadoParcialmente tensoTotalmente tensoFazendo careta
Membros superioresSem movimentoParcialmente fletidoTotalmente fletidoRetraído
Adaptação ao VMTolerandoTossindo ocasionalmenteLutando com VMControlado pelo VM
Interpretação BPS: 3 = sem dor · 4–5 = dor leve · 6–8 = dor moderada · ≥ 9 = dor intensa → tratar

3.2 CPOT — Critical-Care Pain Observation Tool

Válido para pacientes com ou sem VM. Score total 0–8.

Indicador012
Expressão facialRelaxadaTensaFranzida
Movimentos corpoAusênciaProteçãoAgitação
Tensão muscularRelaxadoTenso/rígidoMuito rígido
Adaptação VM ou vocalizaçãoTolerando / sem choroTossindo / gemendoLutando / chorando
Interpretação CPOT: 0–1 = sem dor · 2–3 = dor leve · 4–5 = moderada · ≥ 6 = intensa → tratar
📌 Frequência de avaliação da dor Em pacientes em VM: avaliar BPS ou CPOT a cada 4h e antes/após procedimentos dolorosos. Em pacientes comunicativos: usar escala numérica (0–10) ou EVA. Registrar no prontuário.

4 Avaliação do Nível de Sedação — Escala RASS

ScoreDenominaçãoDescrição
+4CombativoCombativo, violento, perigo imediato para a equipe
+3Muito agitadoArranca tubos e cateteres; agressivo
+2AgitadoMovimentos frequentes sem propósito; luta com o VM
+1InquietoAnsioso, mas movimentos não agressivos ou vigorosos
0Alerta e calmo ★Alerta e calmo — META PADRÃO
-1Levemente sedado ★Acorda brevemente à voz (< 10 s) — META PADRÃO
-2Sedação leveAcorda à voz com abertura ocular (sem contato visual)
-3Sedação moderadaMovimentos ou abertura ocular (sem abertura ao estímulo verbal)
-4Sedação profundaResposta ao estímulo físico, sem resposta verbal
-5Não despertaSem resposta a voz ou toque — apenas a dor
⚠️ Meta RASS por situação clínica

🧠 Seção 5 — Delirium e CAM-ICU

PRMO085 · Cardio Diagnóstica 2026

5 Avaliação e Manejo do Delirium — CAM-ICU

5.1 CAM-ICU — Critérios Diagnósticos

Aplicar 2x ao dia em todos os pacientes em VM. Delirium = critérios 1 + 2 + (3 ou 4):

#CritérioAvaliação
1 Início agudo ou curso flutuante Mudança aguda do estado mental basal OU RASS flutuante nas últimas 24h?
2 Desatenção Teste das Letras ASE: erros ≥ 3 em 10 letras (apertar a mão quando ouvir a letra "A")
3 Pensamento desorganizado 4 perguntas sim/não + 2 comandos simples. Erros ≥ 2 = positivo
4 Nível de consciência alterado RASS diferente de zero (qualquer)

5.2 Medidas Não-Farmacológicas (1ª linha)

  • Reorientação verbal frequente (nome, local, data, situação)
  • Ciclo sono-vigília: apagar luzes à noite, minimizar ruídos
  • Estimular uso de óculos e aparelho auditivo
  • Presença familiar: visitas prolongadas se possível
  • Mobilização precoce (fisioterapia motora diária)
  • Hidratação e nutrição adequadas
  • Evitar cateterismo vesical desnecessário
  • Reduzir contenções físicas ao máximo

5.3 Tratamento Farmacológico do Delirium

⚠️ Antipsicóticos não reduzem duração do delirium (evidência 2023) — usar apenas para agitação grave que comprometa segurança.
FármacoDoseIndicação
Haloperidol2,5–5 mg IV 8/8h (máx. 20 mg/dia)Delirium hiperativo com agitação
Quetiapina25–50 mg VO/SNG 12/12hDelirium hiperativo ou misto
Dexmedetomidina0,2–0,7 mcg/kg/h IVDelirium agitado em VM — alternativa sedativa
🚨 Delirium hipoativo: Não tratar com antipsicóticos. Priorizar reorientação, mobilização e redução de sedação.

5.4 Fatores Precipitantes de Delirium — Rastrear e Tratar

Metabólicos
  • Hipo/hipernatremia
  • Hipo/hiperglicemia
  • Hipocalcemia / Hipomagnesemia
  • Uremia / Encefalopatia hepática
Infecciosos
  • Sepse / SIRS
  • Pneumonia aspirativa
  • ITU / Bacteremia
  • Meningite / Encefalite
Farmacológicos
  • Benzodiazepínicos
  • Opioides em alta dose
  • Corticosteroides
  • Anticolinérgicos

💉 Seção 6 — Protocolo de Analgesia (Analgesia-First)

PRMO085 · Cardio Diagnóstica 2026

6 Protocolo de Analgesia — Analgesia-First

🎯 Princípio Analgesia-First Antes de ajustar ou iniciar sedativo, sempre avaliar se o paciente tem DOR. A dor não tratada é causa de agitação em >60% dos casos. Tratar a dor frequentemente resolve a agitação sem necessidade de sedativo.

6.1 Analgésicos de Primeira Linha — Não Opioides

FármacoDose e ViaIntervaloObservações
Dipirona1–2 g IV ou SNG6/6h1ª escolha para dor leve-moderada. Cuidado com hipotensão em infusão rápida
Paracetamol1 g IV ou SNG6/6hAlternativa segura. Dose máx. 4 g/dia. Reduzir em hepatopatas
Cetoprofeno100 mg IV12/12hAINE — evitar em IRA, úlcera ativa, pós-cirúrgico (sangramento). Máx. 3–5 dias
Cetamina (analgésica)0,1–0,5 mg/kg IV (bolus) ou 0,1–0,3 mg/kg/h (infusão)Conforme necessidadePoupadora de opioide. Broncodilatador. Evitar em HIC e psicose ativa

6.2 Analgésicos de Segunda Linha — Opioides IV

FármacoBolusInfusão ContínuaIndicação / Obs.
Fentanil25–50 mcg IV (titulação)25–200 mcg/h1ª escolha em VM. Hemodinamicamente estável. Sem liberação de histamina
Morfina2–4 mg IV1–10 mg/hAlternativa ao fentanil. Evitar em IRA (acúmulo metabólito ativo). Libera histamina
RemifentanilNão recomendado em bolus0,025–0,2 mcg/kg/minMeia-vida ultra-curta — ideal para desmame rápido. Alto custo
Tramadol50–100 mg SNGDor moderada em pacientes sem VM. Reduzir limiar convulsivo. Evitar com ISRS

6.3 Analgesia Regional e Adjuvantes

  • Gabapentina / Pregabalina: dor neuropática, síndrome de abstinência opioide
  • Lidocaína IV: 1,5 mg/kg bolus + 1–3 mg/kg/h — dor pós-operatória, íleo
  • Bloqueio de nervo periférico / Epidural: cirurgia torácica, ortopédica de grande porte (acionar anestesia)
🚨 Síndrome de Abstinência de Opioide Reduzir dose progressivamente (máx. 20–25%/dia) após uso prolongado (≥ 5–7 dias). Sinais: taquicardia, hipertensão, diaforese, mydriase, diarreia, agitação.
📌 Avaliação e Registro da Dor Documentar BPS/CPOT a cada 4h, antes e após intervenção analgésica. Meta: BPS ≤ 3 ou CPOT ≤ 2. Se não atingida após primeira dose → escalar para próxima linha analgésica.

😴 Seções 7–8 — Protocolo de Sedação

PRMO085 · Cardio Diagnóstica 2026

7 Protocolo de Sedação

🎯 Princípio: Sedação Leve Primeiro (RASS -1 a 0) Iniciar sempre pela menor dose eficaz. Titular conforme RASS. Não aumentar sedativo sem antes tratar dor, ansiedade e causas reversíveis de agitação.

7.1 Sedativos de Primeira Linha

FármacoBolusInfusãoVantagensLimitações
Propofol 0,5–1 mg/kg (titulação lenta) 5–50 mcg/kg/min Início e offset rápidos; IDS facilitada; broncodilatador Hipotensão; síndrome de infusão de propofol (doses altas > 48h); triglicerídeos ↑
Dexmedetomidina 1 mcg/kg em 10 min (carga) 0,2–1,5 mcg/kg/h Sedação cooperativa; reduz delirium; analgésico adjuvante; preserva drive respiratório Bradicardia/hipotensão; custo elevado; não indicado para sedação profunda

7.2 Benzodiazepínicos — Uso Restrito

FármacoDoseIndicações ESPECÍFICAS
MidazolamBolus: 1–5 mg IV | Infusão: 0,02–0,1 mg/kg/hStatus epilepticus, abstinência alcóolica, sedação de curta duração para procedimentos, contraindicação a propofol/dex
Lorazepam1–4 mg IV 4–6/6hStatus epilepticus refratário, abstinência de BZD/álcool
⛔ Benzodiazepínicos aumentam delirium e mortalidade em UTI Evitar uso de rotina em sedação de UTI. Usar apenas nas indicações específicas acima. Se já em uso, planejar desmame progressivo. Substituir por propofol ou dexmedetomidina quando possível.

7.3 Síndrome de Infusão de Propofol (SIP) — Alerta

🚨 Suspeitar de SIP quando: acidose metabólica + IRA + rabdomiólise + insuficiência cardíaca em pacientes com propofol > 4 mg/kg/h por > 48h. Conduta: suspender propofol imediatamente, suporte hemodinâmico, alternativa sedativa.

8 Sedação Profunda — Indicações e Conduta

Indicações de Sedação Profunda (RASS -3 a -5)

  • SDRA grave (relação P/F < 150) com VM protetora
  • Hipertensão intracraniana (HIC) / Status epilepticus
  • Instabilidade hemodinâmica grave refratária
  • Hipotermia terapêutica pós-PCR
  • Bloqueio neuromuscular (BNM) em uso
  • Anestesia geral / Procedimentos cirúrgicos

Esquema para Sedação Profunda

FármacoDose alvo
Propofol30–80 mcg/kg/min (monitorar SIP)
Midazolam0,05–0,2 mg/kg/h
Cetamina0,5–2 mg/kg/h (adjuvante)
Fentanil100–300 mcg/h (associar sempre)
Reavaliar diariamente a necessidade de sedação profunda. Reduzir assim que indicação resolver.

💪 Seções 9–10 — BNM e Fluxograma SAD

PRMO085 · Cardio Diagnóstica 2026

9 Bloqueio Neuromuscular (BNM)

⚠️ BNM nunca deve ser iniciado sem sedação adequada (RASS -3 a -5)! O paciente curarizado mas consciente sofre paralisia sem anestesia — situação inaceitável. Confirmar sempre sedação profunda antes de iniciar BNM.

9.1 Indicações de BNM em UTI

  • SDRA grave: P/F < 150 nas primeiras 48h (evidência ACURASYS 2010)
  • Assincronia paciente-ventilador refratária
  • Hipotermia terapêutica pós-PCR (controle de tremores)
  • Status epilepticus refratário
  • Tetano
  • Procedimentos de alto risco (traqueostomia, ECMO)

9.2 Fármacos e Doses

FármacoBolusInfusão
Cisatracúrio0,15–0,2 mg/kg1–3 mcg/kg/min (1ª escolha)
Rocurônio0,6–1,2 mg/kg0,3–0,6 mg/kg/h
Vecurônio0,08–0,1 mg/kg1–2 mcg/kg/min
Succinilcolina1–2 mg/kg (IOT apenas)Não usar infusão
Monitorização: TOF (Train-of-Four): alvo 1–2 twitch de 4. Evitar curarização excessiva.

10 Fluxograma SAD Integrado

🏥 Paciente em UTI — Avaliar a cada 4h (ou com mudança clínica)
❓ Paciente tem DOR? (BPS ≥ 4 ou CPOT ≥ 2)
SIM — Tratar dor primeiro!
Dipirona/Paracetamol → Cetamina → Fentanil IV
Reavaliar BPS/CPOT em 30 min
NÃO — Avaliar RASS
Meta: RASS -1 a 0
❓ RASS adequado (-1 a 0)?
SIM
Continuar monitorização
Avaliar IDS diária
Agitado (RASS ≥ +1)
Investigar causa reversível
Propofol ou Dexmedetomidina
🧠 Avaliar CAM-ICU 2x/dia — Delirium presente? → Medidas não-farmacológicas + mobilização
📝 Registrar: BPS/CPOT, RASS, CAM-ICU e condutas no prontuário

⏰ Seções 11–12 — IDS e Situações Especiais

PRMO085 · Cardio Diagnóstica 2026

11 Protocolo de Interrupção Diária da Sedação (IDS)

A IDS (ou SAT — Spontaneous Awakening Trial) deve ser realizada diariamente pela manhã em todos os pacientes em sedação contínua, a menos que haja contraindicação formal.

11.1 Contraindicações à IDS

  • Agitação grave ativa (RASS ≥ +3)
  • Sedação para BNM em uso (SDRA grave, hipotermia)
  • HIC ativa ou elevação da PIC
  • Status epilepticus em tratamento
  • Instabilidade hemodinâmica grave (noradrenalina ≥ 0,5 mcg/kg/min)
  • Pós-operatório imediato (primeiras 6–8h)
  • Atividade convulsiva nas últimas 24h

11.2 Protocolo IDS — Passo a Passo

  1. 07h00: Verificar ausência de contraindicações
  2. Suspender infusão de sedativo (manter analgésico)
  3. Aguardar 10–30 min para despertar espontâneo
  4. Avaliar: RASS, capacidade de seguir ordens simples
  5. Se RASS ≥ -2 e sem agitação → manter sedação suspensa + iniciar SBT
  6. Se falha (agitação RASS ≥ +2, desconforto respiratório, SpO₂ < 88%) → reiniciar a 50% da dose anterior e titular
✅ IDS reduz em até 3 dias o tempo de VM e em 4 dias o tempo de UTI (evidência nível 1) A combinação IDS + SBT (Spontaneous Breathing Trial) reduz mortalidade e deve ser a rotina diária em todas as UTIs da rede.

12 Situações Especiais

12.1 SDRA Grave (P/F < 150)

  • RASS -3 a -5 nas primeiras 24–48h
  • Cisatracúrio por 48h se P/F < 150 refratário
  • Fentanil + Propofol ou Midazolam
  • Rever necessidade de sedação profunda após 48h

12.2 Insuficiência Renal

  • Preferir propofol (metabolismo hepático)
  • Evitar morfina (acúmulo de metabólito ativo)
  • Fentanil: usar com cautela, pode acumular
  • Reduzir dose de midazolam em 30–50%

12.3 Insuficiência Hepática

  • Reduzir doses de fentanil e midazolam em 50%
  • Propofol pode ser usado com cautela
  • Monitorar sinais de encefalopatia hepática (confundir com delirium)

12.4 Gestante em UTI

  • Opioides: fentanil preferível (menor transferência placentária)
  • Evitar benzodiazepínicos (teratogênicos no 1° trim.)
  • Propofol: aceito para curto prazo
  • Dexmedetomidina: dados limitados — usar com cautela
  • Acionar obstetrícia para monitorização fetal

12.5 Idoso (> 70 anos)

  • Risco elevado de delirium — preferir dexmedetomidina
  • Reduzir doses em 30–50%
  • Evitar benzodiazepínicos (Critérios de Beers)
  • Mobilização precoce obrigatória
  • Avaliar CAM-ICU com maior frequência (4/4h)

12.6 Intoxicação/Abstinência

  • Álcool: Lorazepam + Tiamina 200–500 mg IV
  • Cocaína/Anfetaminas: Benzodiazepínico + resfriamento
  • Opioide: Naloxona 0,4–2 mg IV (repetir cada 2–3 min)
  • Benzodiazepínico: Flumazenil 0,2 mg IV (raramente)

📊 Seções 13–14 — Indicadores de Qualidade e Referências

PRMO085 · Cardio Diagnóstica 2026

13 Indicadores de Qualidade (KPIs)

IndicadorNumeradorDenominadorMetaFreq.
1. Avaliação de dor documentadaPacientes com BPS/CPOT registrado a cada turnoTotal de pacientes em VM≥ 90%Diária
2. RASS documentadoPacientes com RASS registrado a cada 4hTotal de pacientes em VM≥ 90%Diária
3. CAM-ICU realizadoPacientes com CAM-ICU registrado 2x/diaTotal de pacientes em VM≥ 85%Diária
4. Meta RASS atingida (−1 a 0)Avaliações com RASS entre -1 e 0Total de avaliações RASS em sedação leve alvo≥ 70%Mensal
5. IDS realizada quando indicadaDias com IDS realizadaDias de VM com indicação de IDS≥ 80%Mensal
6. Delirium identificadoPacientes com CAM-ICU+ documentadoTotal de pacientes internados em VM ≥ 48hMonitorar (sem meta absoluta)Mensal
7. BNM com sedação adequadaEpisódios de BNM com RASS ≤ -3 documentadoTotal de episódios de BNM em UTI100%Por evento
8. Uso de BZD de rotina (indicador negativo)Dias com benzodiazepínico em infusão contínua sem indicação específicaTotal de dias de VM≤ 10%Mensal

14 Referências Bibliográficas

  1. Devlin JW et al. Clinical Practice Guidelines for the Prevention and Management of Pain, Agitation/Sedation, Delirium, Immobility, and Sleep Disruption in Adult Patients in the ICU. Crit Care Med. 2018;46(9):e825-e873. (Diretrizes PADIS 2018)
  2. Barr J et al. Clinical Practice Guidelines for the Management of Pain, Agitation, and Delirium in Adult Patients in the Intensive Care Unit. Crit Care Med. 2013;41(1):263-306. (Diretrizes PAD 2013)
  3. Papazian L et al. Neuromuscular blockers in early acute respiratory distress syndrome. N Engl J Med. 2010;363(12):1107-16. (ACURASYS)
  4. Girard TD et al. Efficacy and safety of a paired sedation and ventilator weaning protocol for mechanically ventilated patients in intensive care (Awakening and Breathing Controlled trial). Lancet. 2008;371(9607):126-34.
  5. Kress JP et al. Daily interruption of sedative infusions in critically ill patients undergoing mechanical ventilation. N Engl J Med. 2000;342(20):1471-7.
  6. Morandi A et al. The ABCDEF bundle: science and philosophy of how ICU clinicians can minimize harm and restore health in their patients. Intensive Care Med. 2017.
  7. Society of Critical Care Medicine (SCCM). ICU Liberation Bundle — ABCDEF. 2022.
  8. Associação Brasileira de Medicina Intensiva (AMIB). Recomendações sobre Sedoanalgesia em UTI. 2020.
📋 Controle de Versões
VersãoDataAutorAlterações
1.0Janeiro/2026Equipe Médica de TI — Cardio DiagnósticaVersão inicial — aprovada pela Diretoria Clínica

Cardio Diagnóstica · Gestão Hospitalar de Alta Complexidade
PRMO085 — Protocolo Corporativo de Sedação, Analgesia e Delirium em UTI · Versão 1.0 · Janeiro/2026
Documento de uso exclusivo institucional · Contato: qualidade@cardiodx.com.br